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Por PÚBLICO

Na sua última edição, em 2012 (tem periodicidade bienal), o Alkantara Festival já tinha posto em causa o discurso sobre a crise e os limites com que a cultura tem de se debater nesse contexto. Este ano, sofre os efeitos na pele e, debatendo-se com os cortes no financiamento, questiona o seu próprio futuro.


O apelo do director artístico do festival, Thomas Walgrave, e da sua equipa é eloquente: "Celebremos este Alkantara Festival como se fosse o nosso último".

A programação desta 13.ª edição, que ocupa vários espaços de Lisboa entre 13 de Maio e 8 de Junho, inclui os regressos de Anne Teresa de Keersmaeker e Boris Charmatz com "Partita 2", exercício de despojamento coreográfico e centro nevrálgico do trabalho de resiliência interpretativo de um e outro; Lia Rodrigues com "Pindorama", terceira parte da trilogia sobre o corpo brasileiro inaugurada com "Pororoca" e "Piracema"; Toshiki Okada, encenador japonês que alicerça o seu trabalho num desequilíbrio emocional, com "Super Premium Soft Double Vanilla Rich", metáfora sobre a hegemonia e normatividade; Sylvian Crezevault, que se atira com violência a "O Capital", de Marx; o colectivo Berlin, cujo projecto sobre Lisboa foi adiado para 2015 por força dos constrangimentos orçamentais, e mostra agora "Perhaps all Dragons", encontro de um para um com protagonistas de histórias sem história; e Faustin Linyekula, que se liberta das máquinas de produção que condicionaram o seu trabalho nos últimos anos e inflige ao seu corpo a dureza crua da realidade congolesa em "Le Cargo". Marcam também presença Tim Etchells (Artista na Cidade 2014), Halory Goerger e Antoine Defoort, meninos bonitos do humor "dead pan" performativo; Cláudia Dias ("tour de force" reivindicativo com "Vontade de Ter Vontade", de 2012) e Marlene Monteiro Freitas, com a estreia de "De Marfim e Carne". Descobertas: Ula Sickle, coreógrafa entre o Canadá e o Congo que em "Kinshasa Electric" traz ao palco a descodificação cultural e a força política da dança popular; e Urândia Aragão, artista interdisciplinar que com "Fio Condutor" constrói um mapa sensorial e sensitivo do mundo.

O Alkantara Festival, que derivou do antigo Danças na Cidade, assenta "numa visão marcadamente contemporânea, internacional e transdisciplinar, firmemente ancorada na cultura urbana de Lisboa", segundo a organização. É considerado o mais importante festival de artes performativas português.