Guialazer

Castelo de Guimarães

Por Nelson Garrido

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01.09.11

Contada e recortada por inúmeros e ilustres autores, a história do Castelo de Guimarães, autêntico "ex-libris" da nacionalidade portuguesa, permanece sob interrogação em muitos pontos. Exemplos? Terá sido mesmo o berço do primeiro rei, D. Afonso Enriques? A exígua moradia, cujos restos se localizam no lado norte, terá sido, dada a sua reduzida dimensão, o lar condal dos pais do Conquistador?


Num documento elaborado a 4 de Dezembro de 968, a condessa Mumadona (viuva do conde de Tui, Ermegildo Gonçalves), fundadora do mosteiro de Guimarães, refere-se ao primitivo castelo, então denominado São Mamede, ao dizer "que já o havia edificado para defesa dos frades e das freiras" dos ataques dos mouros.

Esta fortificação, erguida no então no Monte Latido, foi reparada e ampliada quando o conde D. Henrique e sua mulher, D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, se estabeleceram na localidade. A torre de menagem deve ter sido obra do conde, bem como a demolição do que sobrara das muralhas do tempo de Mumadona, modificadas com novas e mais potentes muros. D. Henrique fez levantar ainda novas torres, dotou o castelo de espaçosos adarves, protegidos por enormes ameias de granito, rasgou as indispensáveis seteiras e abriu em lados opostos da muralha duas portas: a principal, virada a oeste para o burgo formado em volta do mosteiro, e outra, a da Traição, a este.

A D. Afonso III e, principalmente, a D. Dinis, sem esquecer D. Fernando, se devem as obras que perduraram ate aos nossos dias, com excepção das torres que flanqueiam as duas portas, erguidas por D. João I.

O castelo passou, então, a ser constituído por oito torres ligadas pela muralha. No interior surge a nona, a de menagem, de 27 metros de altura, independente, de três pisos de habitação sobre um que servia de celeiro. Não tem qualquer janela, somente seteiras, e comunica com o adarve por uma ponte de madeira, levadiça nos tempos áureos.

No espaço interior que madeira as torres levantadas a noroeste e a nordeste conservam-se ainda hoje vestígios de uma residência de dois pisos, considerada por diversos autores como alcáçova de D. Henrique e de D. Teresa. Os andares eram baixos e de reduzida dimensão, com as paredes fixadas na muralha. Restam as várias janelas rectangulares abertas no muro norte, uma grande chaminé de pedra, vestígios de uma outra e os alicerces das paredes que fechavam o edifício na parte confinante com o recinto castelar.

A torre virada a poente, a direita da porta de entrada, é conhecida pela Torre da Forca, pois ali se faziam as execuções, existindo ainda dois pilares de suporte do mecanismo.

Encostada a torre norte encontra-se a espessa saída das muralhas, aberta pelo conde e que constituía uma das entradas em Guimarães que protegiam a cidade no seu tempo. Não assistiu o castelo a muitos combates. Sublinhem-se, no entanto, o cerco imposto por Afonso VII de Castela a D. Afonso Henriques, seu primo, do qual resultou o semilendário episódio de Egas Moniz; um outro de D. Afonso IV, ainda herdeiro do trono, numa das investidas contra seu pai, D. Dinis; finalmente o organizado por D. João I contra o alcaide de então, Aires Gomes da Silva, partidário do rei de Castela na crise de 1383-1385.

O centro histórico de Guimarães, é obviamente o seu vetusto castelo, foram recentemente classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

In "Portugal Eterno",2002



Última actualização a 17-01-2012
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